Era uma tarde fria de agosto o casal brigava mais uma vez, e
pelos mesmos motivos, não havia nada de novo, eram sempre as mesmas palavras, e
as mesmas feridas em aberto, sangrando. Mas essas feridas eram piores eram mais
difíceis de curar eram na alma.. A sala era escura, duas rosas solitárias
estavam largadas num canto qualquer, com água, em um copo de plástico. Era tudo
meio vazio no ambiente tão solitário, havia também mais alguém, eu a fiel
observadora da confusão.
Havia muito vento, e frio fora daquela casa, e ninguém de
fora era capaz de imaginar o que acontecia dentro dela. E agora que estou
escrevendo sobre essa tarde de inverno, paro pra pensar na realidade, no
cotidiano e dia a dia de cada pessoa, dentro de sua própria casa. o que uma
porta fechada é capaz de esconder, e guardar. De momentos felizes, á tristes.
Famílias destroçadas, brigas por dinheiro e o abuso de álcool. Mais também, têm
crianças que nascem, aniversários, e natais, nas casas, fotografias penduradas
nas paredes, e em cima dos moveis. E também roupas nos cabides e espalhadas
pelo chão, e toda, a comida sobre a mesa. Ah os almoços de domingo. Pessoas que
riem, que choram, só deus sabe o porquê.
Logo a calmaria se instalou sobre a casa, o vento do lado de fora foi o
que restou, Aparentemente.
Tudo é agora uma memória nas paredes da casa, uma lembrança
ruim para as pessoas daquele lugar. As flores secaram soltei as pétalas ao
vento, até o perfume já se foi. Amanhã ninguém, se lembrará de nada disso,
talvez nem eu. Mas a tarde fria de agosto ainda sim, terá existido. Até os mais perfeitos têm seus defeitos,
assim como todo amor também causa dor. Toda rosa apesar da beleza e perfume tem
seus espinhos. E todos dias cotidianos podem sim virar uma história.

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